Foto por G Cicconeto · Pexels
19 de julho de 2026Butrint: o parque arqueológico Património Mundial da UNESCO perto de Ksamil
A poucos minutos de carro de Ksamil, escondido entre um lago salgado e o canal de Vivari, fica um dos sÃtios arqueológicos mais notáveis do Mediterrâneo. Butrint foi o primeiro Património Mundial da UNESCO reconhecido na Albânia, em 1992, e continua a ser, décadas depois, um dos locais mais bem preservados de toda a região — não por conter os vestÃgios de uma única civilização, mas por sobrepor, numa só colina, camadas de história grega, romana, bizantina e veneziana. Poucos sÃtios no Mediterrâneo permitem caminhar, em menos de duas horas, por 2.500 anos de ocupação contÃnua.
Para quem passa férias na Riviera Albanesa, Butrint é uma paragem quase obrigatória — e, ao contrário do que se possa pensar, não exige abdicar de um dia de praia. A proximidade a Ksamil e a Sarandë torna perfeitamente possÃvel visitar as ruÃnas de manhã e terminar o dia na água.
Uma cidade construÃda em camadas
A ocupação de Butrint remonta à pré-história, mas foi com a chegada de colonos gregos, por volta do século VII a.C., que o local começou a ganhar forma de cidade. Por volta do século III a.C., Butrint já era um centro urbano relevante, com templos, um sistema de abastecimento de água relativamente sofisticado para a época e, sobretudo, o teatro que ainda hoje é o coração visual do sÃtio. Escavado na encosta da colina, com bancadas de pedra que resistiram a mais de dois milénios, o teatro chegou a acolher cerca de 2.500 espectadores e continua, em época seca, suficientemente Ãntegro para se descer até ao antigo palco.
Roma e a expansão para sul
Em 44 a.C., Júlio César concedeu a Butrint o estatuto de colónia romana, o que desencadeou uma fase de forte expansão. A cidade cresceu para sul, para terrenos ganhos ao pântano do outro lado do canal de Vivari, onde foi construÃdo um aqueduto para abastecer a nova área urbana. Fóruns, termas e edifÃcios públicos foram erguidos nesta fase, transformando o antigo assentamento grego numa cidade romana de pleno direito, integrada nas rotas comerciais do Adriático e do Jónio.
A era bizantina e o baptistério
No século V, Butrint tornou-se sede episcopal, o que trouxe consigo a construção de importantes estruturas paleocristãs. Depois de um perÃodo de abandono parcial, a cidade foi reconstruÃda sob domÃnio bizantino a partir do século IX, com a edificação de igrejas de grande escala. É desta fase que resta o monumento mais fotografado do parque a seguir ao teatro: o baptistério, datado dos séculos V-VI, com uma planta circular rodeada por duas coroas de colunas e um chão coberto por um extraordinário mosaico policromo — animais, aves, peixes e motivos geométricos — considerado um dos melhores exemplos de arte paleocristã preservados na Europa. Perto dali, os restos da grande basÃlica de três naves, erguida no final do século V, dão uma ideia da escala da comunidade cristã que ali viveu.
Os venezianos e o lento declÃnio
Butrint conheceu ainda um perÃodo de prosperidade sob administração bizantina antes de passar, por breves fases, para controlo veneziano. É dessa época que datam o Castelo Veneziano da Acrópole e, sobretudo, o Castelo Triangular, erguido do outro lado do canal de Vivari no final do século XV para proteger as armadilhas de peixe do lago — depois de o primeiro castelo ter sido abandonado em 1572, durante as guerras entre Veneza e o Império Otomano. Os venezianos deixaram também a sua marca mais reconhecÃvel: o Portão do Leão, com um leão esculpido sobre a entrada principal, um dos vários portões que pontuavam as muralhas da cidade. Com o avanço dos pântanos e a malária associada, Butrint foi gradualmente abandonada ao longo da Idade Média tardia, o que — paradoxalmente — ajudou a preservar as ruÃnas quase intactas até à chegada dos primeiros arqueólogos, no século XX.
Como visitar Butrint
O Parque Nacional de Butrint está aberto todos os dias, geralmente das 8h à s 20h na época alta (abril a outubro), com bilhete de entrada à volta dos 1.000 lek (cerca de 10€) para adultos — crianças até aos 12 anos entram gratuitamente. Desde o parque de estacionamento já se avista o canal de Vivari, que liga o Lago Butrint (uma lagoa salgada) ao Mar Jónio; uma pequena balsa faz a travessia até ao sÃtio arqueológico propriamente dito. Para a maioria dos visitantes, duas a três horas chegam para percorrer com calma o teatro, a basÃlica, o baptistério, o castelo da acrópole (onde funciona também o museu do sÃtio) e as muralhas.
A partir de Ksamil, Butrint fica a apenas 4 km — cerca de 5 minutos de carro —, o que torna fácil combinar a visita com um dia de praia nas águas turquesa que tornaram Ksamil famosa, ou espreitar a Mango Beach ali perto. Quem está hospedado mais a norte, em Sarandë, tem cerca de 18 km — uns 25 minutos pela estrada costeira. Muitos viajantes optam por visitar as ruÃnas ao inÃcio da manhã, antes do calor apertar, e reservar a tarde para a água.
Perguntas frequentes
Butrint é uma boa visita para quem viaja com crianças?
Sim — os percursos são planos ou com ligeiras subidas, há sombra em boa parte do parque e o ambiente entre o lago e o canal costuma agradar à s famÃlias. Crianças até aos 12 anos não pagam entrada.
Quanto tempo é preciso reservar para a visita?
Duas a três horas são suficientes para a generalidade dos visitantes, incluindo o museu no castelo da acrópole. Quem gosta de arqueologia com mais calma pode facilmente ocupar uma manhã inteira.
Dá para combinar Butrint com um dia de praia?
Perfeitamente. A proximidade a Ksamil (4 km) torna-o o passeio de meio-dia ideal antes ou depois de uma tarde na água.
É preciso guia para visitar Butrint?
Não é obrigatório — há painéis informativos ao longo do percurso —, mas um guia local ajuda a distinguir as diferentes camadas históricas, que por vezes se sobrepõem nas mesmas pedras.