RIVIERA ALBANESA
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Foto por Tom · Pexels

21 de julho de 2026

Península de Karaburun e Ilha de Sazan: a Riviera que ainda não abriu ao turismo de massas

A norte de Vlorë, onde o Adriático encontra o Jónio, a costa albanesa muda de carácter por completo. Desaparecem as estradas, os hotéis e os chiringuitos que marcam boa parte da Riviera mais a sul, e dão lugar a falésias calcárias que se erguem a mais de 800 metros diretamente do mar. É a península de Karaburun, e ao largo da sua ponta fica a ilha de Sazan, a maior ilha da Albânia — durante décadas, uma das zonas mais secretas do país, hoje protegida como Parque Marinho Nacional, mas ainda longe de estar aberta ao turismo de massas.

Não é exagero dizer que esta é a última grande fronteira selvagem da Riviera Albanesa: não há estradas para lá chegar, o acesso faz-se quase exclusivamente por barco, e décadas de proibição militar acabaram, sem intenção, por preservar um dos ecossistemas marinhos mais intactos do Mediterrâneo.

As falésias calcárias da península de Karaburun vistas do mar, sem qualquer estrada de acesso

Uma península fechada durante décadas

Toda a área — península e ilha — esteve classificada como zona militar de acesso restrito durante o regime comunista albanês e manteve-se, em grande parte, fora dos circuitos turísticos mesmo depois da queda do regime, em 1991. Essa longa exclusão humana teve um efeito colateral pouco comum: enquanto boa parte do litoral albanês era construída ou explorada por pesca intensiva, Karaburun e Sazan ficaram praticamente intocadas. O resultado são falésias sem uma única construção à vista, águas com uma transparência pouco comum e um fundo marinho que ainda hoje surpreende os poucos mergulhadores que lá chegam.

Sazan, a ilha proibida

A história de Sazan é, em muitos aspetos, um espelho da de Porto Palermo, mais a sul: outra base naval da era comunista, construída também para acolher submarinos, e igualmente selada ao público durante décadas. Depois da Segunda Guerra Mundial, a ilha ficou sob controlo do regime de Enver Hoxha, que a abriu aos aliados soviéticos na década de 1950. Os soviéticos construíram ali uma base para submarinos da classe Whiskey, com toda a infraestrutura associada, e a guarnição chegou a rondar os 3.000 militares no seu auge. Reza a história que o próprio Nikita Khrushchev, em visita à base naval de Pashaliman, na baía de Vlorë, em 1958, terá dito que dali conseguia "controlar o Mediterrâneo até Gibraltar".

Com a rutura entre a Albânia e a União Soviética no início da década de 1960, os soviéticos retiraram-se — mas o exército albanês manteve e ampliou a presença militar na ilha durante mais três décadas. Só em 2010 é que Sazan abriu, de forma limitada, a visitas turísticas por barco a partir de Vlorë. Ainda assim, o acesso continua condicionado por regulamentos militares em vigor, e algumas áreas da ilha permanecem vedadas aos visitantes.

Vestígios militares abandonados numa das zonas outrora fechadas da costa albanesa

O Parque Marinho Nacional de Karaburun-Sazan

Em 2010, a mesma zona foi também declarada Parque Marinho Nacional de Karaburun-Sazan — o primeiro e, até hoje, único parque marinho nacional da Albânia, com o apoio do PNUD. Estende-se por cerca de 12.428 hectares de habitats marinhos e terrestres, e foi reconhecido em 2015 como Área Especialmente Protegida de Importância Mediterrânica. Debaixo de água, o parque protege mais de 300 espécies de peixes, tartarugas marinhas, golfinhos e extensos prados de posidónia — a planta marinha que serve de viveiro a boa parte da vida marinha do Mediterrâneo —, além de comunidades densas de gorgónias e esponjas nas zonas rochosas mais profundas. As mesmas restrições militares que durante décadas mantiveram as pessoas afastadas contribuíram, sem essa intenção, para preservar tudo isto.

Dentro do parque, um dos pontos mais procurados por quem faz excursões de barco é a Baía de Grama, na costa norte da península — uma enseada em forma de crescente, ladeada por falésias de mais de 200 metros, conhecida sobretudo pelas cerca de 1.500 inscrições rupestres deixadas ao longo de mais de 1.800 anos por marinheiros, soldados e viajantes que ali passaram.

Como visitar hoje

Não existem estradas de acesso a Karaburun nem à maior parte de Sazan — a única forma prática de conhecer esta zona é por excursão de barco, normalmente com partida de Vlorë ou Orikum, e por vezes também organizadas a partir de localidades mais a sul, como Radhimë, já dentro da área de Vlorë. Os passeios de barco costumam demorar entre 1h30 e 2h para chegar aos pontos mais conhecidos da península, com paragens frequentes para mergulho ou snorkeling em águas de grande transparência.

Vale a pena gerir expectativas: apesar da abertura gradual desde 2010, esta continua a ser uma das zonas menos desenvolvidas de toda a costa albanesa, sem infraestrutura turística de maior escala, sem restaurantes ou comércio junto à costa, e com partes do território ainda sujeitas a restrições de acesso militar. Há projetos de investimento anunciados para a área nos últimos anos que podem, a prazo, mudar este cenário — mas, por agora, Karaburun e Sazan continuam a ser, precisamente, a Riviera que ainda não abriu ao turismo de massas.

Perguntas frequentes

Dá para visitar Sazan por conta própria?
Não é possível chegar por meios próprios — o acesso é feito por excursão de barco organizada, normalmente a partir de Vlorë, e algumas áreas da ilha continuam sujeitas a regras militares.

Karaburun e Sazan são a mesma coisa que a Baía de Grama?
Não exatamente — a Baía de Grama fica na costa norte da península de Karaburun e é um dos pontos mais visitados dentro da área protegida mais vasta que inclui toda a península e a ilha de Sazan.

É preciso ser mergulhador experiente para aproveitar a zona?
Não — a maioria das excursões de barco inclui paragens de snorkeling acessíveis a qualquer nadador, embora quem mergulha com garrafa tenha aqui um dos melhores fundos marinhos da Albânia.

Qual é a melhor altura do ano para visitar?
Entre junho e setembro, quando o mar está mais calmo e as excursões de barco saem com maior regularidade — em condições de vento forte, os passeios são frequentemente cancelados.

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